Diário da Lua de Sangue

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Meu processo de viver o Sagrado Feminino foi no início muito instintivo. Eu estava numa fase que eu não me sentia bem comigo, como seu eu fosse outra pessoa. Lembro-me que a primeira questão que levantei, e isso em uma conversa com meu marido, foi o porquê que nós deixamos sermos ‘empurradas de acordo com a maré’. Eu sempre fui uma menina pé no chão, no sentido de andar descalça mesmo, de tomar banho de cachoeira, e fazer o que tinha vontade, sem me limitar ao fadado ‘ o que os outros vão pensar’. De repente eu fui crescendo, e com o passar dos anos isso foi se perdendo; vi-me sendo engolida na massificação do que a mulher deve ser e fazer. Sair de casa? Só se fosse num saltão, toda maquiada, cabelo escovado, e as roupas nenhuma refletiam quem eu era ou como eu estava. Era como se eu estivesse ligada no piloto automático e só fizesse o que já estava pré-programado. E eu estava imensamente infeliz; infeliz com o que eu estava me deixando tornar. Quando minha filha caçula estava para nascer, isso foi há quatro anos, foi que eu tive esse ‘bummmmmmm’ de querer mudar. Comecei pelo exterior, encontrei uma loja que vende as roupas que tem exatamente a minha cara, desde as roupas do dia a dia, até vestidos de festa, e aí comecei minha mudança no visual. Sempre gostei de vestidos bem compridos, no estilo bem hippie e essa loja vende coisas exatamente assim. Foi ali que comecei a me reencontrar, e de mudar o exterior, para começar a ser quem eu era foi um processo lento, mas muito prazeroso.
imagem da internet

Hoje estou numa outra fase de autoconhecimento. Sempre fui muito temperamental, brava, beirando a grosseria em muitos casos, do tipo que não levava desaforo para casa, mas eu não queria mais ser assim, explosiva. Fui buscando meios de mudar isso, confesso que na TPM o que estivesse na minha mãe eu jogava, culpava os hormônios por isso, mas eu sentia que precisava mudar, em vários aspectos. Foi aí que eu tomei conhecimento do Diário da Lua de Sangue. Aqui você pode ler uma postagem onde falo do meu ponto de vista sobre a menstruação. Na foto está o meu diário, é um caderno comum, com a capa customizada, esse foi um presente de uma amiga que ela fez e me deu no meu aniversário ano passado. Você pode fazer o seu como quiser, customizar, enfeitar, ou nem fazer nada se preferir. E essa é minha companheira de todas as horas, minha auxiliar nas meditações e nos momentos que preciso me manter calma. Essa é a Juju, apelido de Julieta, uma das minhas três gatas.


O nome no início assusta, mas trata-se de um diário entre nossos ciclos menstrual. Primeiro eu conheci o gráfico (foto abaixo). No primeiro dia do ciclo, a gente marca o dia e o mês, e qual lua estamos, e como estamos nos sentidos; se estamos calmas, nervosas, ansiosas, etc..... no decorrer dos dias, todo dia a gente faz uma anotação no gráfico.E depois a gente pode ler e ver como nos ‘comportamos’ durante o período até o próximo ciclo. Mas para mim, só escrever no gráfico era pouco, porque eu queria me conhecer, a gente tem uma ideia vaga do que sentimos a medida que o tempo passa, mas registrar é diferente. Foi aí que comecei meu Diário da Lua de sangue.  Inicialmente, recomenda-se que o escreva por três meses, mas depois que a gente começa a escrever é tão gostoso ir se revendo, que pode ser feito pelo tempo que quiser.
Nesse diário, escrevemos como passamos o dia, tipo um diário que fazemos quando somos adolescentes, mas nele colocamos questões do nosso dia, sentimentos, temperamentos, acontecimentos e como reagimos diante deles, e tudo mais que achamos importante colocar. Quando o relemos, vemos que nosso mês anterior não foi só de coisa boa ou de coisa ruim, e como variamos os dias e o quanto isso influenciou nas nossas decisões.

 Para mim tem sido de muita ajuda esse diário, vejo que meu humor tem sido mais estável, ando sofrendo menos na TPM, porque sei reconhecer os meus sentimentos, e como controla-los. Sem contar que é um momento em que nos dedicamos únicas e exclusivamente a nós, a nos ouvir. No diário a gente pode escrever, pode desenhar ( eu desenho mandalas) para expressar os sentimentos.
Acho que o único requisito obrigatório nesse diário é sermos sinceras e honestas conosco. Temos que nos desnudar diante do que somos, e assim o processo de autoconhecimento será verdadeiro.
Se você se interessou pelo diário, e se tiver vontade de fazê-lo, faça-o porquê é um meio muito interessante de nos conectar com nosso eu.

Namaste!


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