A Face Feminina de Buda - Escrito por Malu

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Olá amoras! quando fiz a postagem sobre a Dhonella Decorações, me foi pedido que alasse sobre o budismo. Pois bem, eu não sou budista, mas tenho uma amiga que o é, e ela fez trouxe para nos uma explicação bem clara sobre o papel da mulher no budismo.

Vamos ver o que a Malu tem a nos dizer?

O Budismo que é praticado no Ocidente nos dias de hoje chegou até nós principalmente através de instrutores homens. Já as instrutoras mulheres da doutrina budista, mesmo que sempre tenham feito parte da história da transmissão da sabedoria e da compaixão de Buda, dificilmente são reconhecidas, e até mesmo incluídas nos registros históricos.

Elas são tão talentosas e compreensivas quanto os instrutores mais famosos, mas razões culturais as relegaram a um segundo plano. Ainda nos dias de hoje, quando as mulheres alcançaram definitivamente o reconhecimento de suas capacidades em todas as atividades humanas, as instrutoras budistas da Ásia são menos valorizadas, menos respeitadas e recebem apoio financeiro inferior àquele oferecido aos homens.

Contudo, no Ocidente as mestras budistas já possuem o mesmo tratamento que os mestres, e mesmo nas linhagens onde a aceitação do papel feminino é mais lenta, esta situação vem se alterando gradualmente.

Quando fui convidada a falar sobre o feminino dentro do budismo me correu um fio de medo na espinha, ‘uau eu sou budista e sigo a linha tibetana a mais tempo de que posso me lembrar e como falar do budismo feminino’? Fui então procurar conselho nos ensinamentos de Monja Coen, uma das figuras femininas mais conhecidas do budismo em nosso país. Tenho a honra de conhecê-la pessoalmente e ela fala o seguinte sobre a experiência de ser mulher dentro do budismo:



“Qual é a dificuldade em ser mulher quando a mente esta concentrada e a compreensão é clara e brilhante?

Todos os seres, sem exceção,  são capazes de obter a mais elevada iluminação, a sabedoria e a compaixão superiores.Basta para isso que pratiquem o caminho de Buda.”

Desde o inicio do budismo as mulheres puderam entrar na ordem monástica; embora houvesse algumas regras especiais, hoje consideradas decorrentes da posição das mulheres nas sociedades antigas; elas eram respeitadas como verdadeiras seguidoras do caminho.

Atualmente no Oriente, com raras exceções, as mulheres podem realizar casamentos, enterros e ordenações, da mesma maneira que os homens.

O legado das primeiras mulheres budistas e de qualquer pessoas pode e deve ser sua própria luz. Podemos ser uma clara e límpida manisfestação desta verdade, mantendo a coerência em nossos atos, em nossas palavras e em nossos pensamentos.

Podemos transformar o mundo, não pela violência ou pelas guerras, mas por meio da não-violência ativa, do dialogo, da compreensão, podemos transformar por meio do feminino em cada ser, do cuidado amoroso e terno.



Também no budismo a história do budismo é fragmentada, como toda a historia da humanidade foi contada e recontada sob um prisma de guerras e conquistas. Mesmo assim, podemos reconstruir a importância que muitas mulheres tiveram ao participarem de grandes transformações sociais, políticas e econômicas sem violência.

O que se reverencia no budismo não é o gênero, feminino ou masculino, mas a mente iluminada, capaz de incluir todos os seres na grande ternura da acolhida suprema.

Miguel Berredo, jornalista, praticante e estudioso do budismo, fala o seguinte sobre a mulher no budismo:

         “O budismo no Ocidente ainda é recente. O renomado historiador britânico Arnold Toynbee, falecido em 1975, afirmou que a chegada do budismo no ocidente foi o maior evento do século XX. Junto com esse fenômeno, acontece também uma maior inserção da mulher dentro de um novo contexto e paisagem. A presença da mulher é muito bem vinda, areja e amplia as perspectivas. Um fenômeno do budismo ocidental é a forte presença feminina, há monjas, mestras e alunas, em igual ou maior número que homens. Nos Estados Unidos existe muitas mestras.

Essa presença no budismo pode nos ajudar na construção de uma sociedade mais feminina, na medida que o budismo começa a dialogar com os diversos setores da sociedade, educação, ciência, medicina, psicologia, nos lembrando das qualidades de uma mãe que acolhe e protege sem impor condições.

A verdadeira presença feminina deve se dar tanto na construção ativa da sociedade como na manifestação das qualidades como compaixão, cuidado, acolhimento, proteção e amor. Embora essas qualidades não sejam restritas ao gênero feminino, as mulheres podem ajudar a construir um mundo mais justo e equânime.

Sua Santidade o Dalai Lama diz que de fato o que rege o mundo não é a economia e sim a compaixão. Se não houvesse alguém para nos acolher, alimentar e aquecer quando nascemos, ninguém estaria aqui. Para que os valores femininos tenham a devida importância precisamos olhar para eles, dar atenção, empoderá-los, se não eles passarão desapercebidos e não avançaremos enquanto civilização. Sua Santidade também afirmou em um encontro pela paz, em Vancouver, Canadá, em 2009: ”O mundo será salvo pela mulher ocidental”. Um novo paradigma passa pela valorização do princípio feminino.”



Entre as deidades do Tibet encontramos Tara, ela era uma princesa muito devota e uma seguidora de Buddha, que era seu guru,
            Foi lhe dito que, como um dos diversos resultados de sua devoção, ela ia renascer como homem, pois era mais benéfico do que nascer mulher, porque poderia viver na floresta, ou numa gruta deserta, sem ser molestada. Mas a princesa não aceitou, pois já haviam muitos iluminados sob a forma masculina e a forma feminina poderia inspirar mais mulheres. Ficou em retiro e após longas meditações ela atingiu o altíssimo estado de “não origem”, o estado real da mente e dos fenômenos “incriados”, sem início ou fim, ilimitado.
A partir de então ela passou a ser conhecida como Tara a “salvadora”, ou “aquela que libera”.

Em seu mito, conta-se que Avalokiteshavara, o Buda da Compaixão, que em profundo pesar pelos sofrimentos do seres no samsara, derramou infindáveis lágrimas dos olhos formando um lago no qual emergiu uma flor de lótus. Quando a flor se abriu, a maravilhosa Tara saiu de dentro dela, prometendo ao Buddha defender a todos os seres em todos os mundos, de forma imediata e heróica, para remover obstáculos, para proteção e em situações de medo. Conta-se também que na época de Buda Amogashidhi Tara entrou em novo estado de concentração para proteger os seres do perigo dos medos e dos demônios e beneficiou muitos seres oferecendo-lhes muita ajuda imediatamente quando chamada. Este estado é chamado “a concentração que completamente conquista os demônios”. Por ser sempre veloz em socorrer, ela foi conhecida como rápida e corajosa.



Tara como todas as mulheres tem muitos estados de humor e estes estados foram separados por cores tendo cada um o seu significado, são eles:

1.Rápida Senhora da Glória:Pacífica e charmosa, para pacificar as aflições devido a obstáculos; para exercer influência positiva sobre aqueles que estão errados. Tara Vermelha a salvadora veloz que concede o poder do controle e da persuasão eficaz

2. Senhora da Suprema Paz:Brilhantemente branca, expressão pacífica para curar doenças, maledicências ou influências demoníacas e problemas. A grande e pacíficaTara Branca que pacifica a negatividade causada por espíritos, o carma negativo, as delusões e as doenças

3. Senhora da Cor Amarela Dourada: Amarela, expressão charmosa para aumentara longevidade e riqueza. A grande incrementadora, Tara Dourada, que aumenta a longevidade, o mérito, a boa fortuna, a riqueza e a fama

4. Senhora da Vitória Completa, Corporificação de Todas as Qualidades Positivas: Amarela, charmosa expressão para conceder longevidade. A grande Tara Amarela da vida longa.

5. Aquela que Proclama o Som de Hung: Laranja, gargalhando com apaixonada expressão para dominar e influenciar as pessoas. A grandeTara do mantra HUM, que atrai outros seres para perto de nós.

6. Aquela que é Completamente Vitoriosa Sobre os Três Mundos:Vermelho-escuro, levemente irada para domar espíritos (Bhuta). A Tara Negra-e-Vermelha, vitoriosa sobre os Três Reinos, que protege contra o mal produzido por espíritos, levando-os à loucura

7. A que Conquista os Outros: Expressão irada para desviar os mantras nocivos dos outros. A Tara Negra, levemente irada, que desfaz toda magia negra e feitiços negativos

8. A que Conquista Maras e Inimigos: Vermelho-escuro, expressão irada e aborrecida para eliminar os danos causados por inimigos. A Tara Vermelha , destruidora do inimigo Mara, que destrói os quatro tipos de maras.

9. A que Protege Contra Todos os Medos: Branca, pacifica e expressão risonha. Tara Branca, as três sublimes, que protege todos os seres do perigo e do medo.




10. A que põe os Maras e o Mundo sob seu Poder: Vermelha, charmosa e expressão gargalhante, domina todos os Maras e forças obstrutivas. Tara Vermelha, destruidora de maras, que controla o mundo.

11. A que Erradica a Pobreza: Expressão charmosa para erradicar todas as formas de pobreza. Tara Laranja eliminadora da pobreza, que traz prosperidade.

12. A que Garante Tudo o que é Auspicioso: Expressão charmosa para assegurar as condições auspiciosas. A Tara Laranja da beleza auspiciosa, que torna tudo auspicioso
13. Metar Barma: A Tara Vermelha que emite fogo, que corta através de seu inimigo mas não machuca os outros.
14. A que é Tremendamente Irada: Irada com expressão carrancuda e irritada para suprimir problemas. Tara Negra, levemente enrugada, que corta através das interferências.

15. A Supremamente Pacifica: Branca, expressando excelente paz, para pacificar o efeito das nossas próprias ações maléficas. Tara Branca, a grande pacificadora, que traz harmonia

16. Tara que nasce do Hung da Consciência intrínseca: Vermelha, expressão charmosa para aumentar o conhecimento transcendental e sabedoria. Tara Vermelha, liberadora da sabedoria-HUM, que traz sabedoria e aumenta o poder dos mantras.

17. A que faz Tremer os Três Reinos: Laranja, expressão charmosa, para pacificar maras e forças obstrutivas. Tara Laranja, que estremece os três Reinos e controla o poder dos mantras.

18. A que Neutraliza Veneno: Branca, para pacificar as venenosas influências de espíritos-nagas. Tara Branca, que elimina os venenos e supera seus efeitos.

19. A que Alivia Todo Sofrimento: Branca, pacífica, sorrindo, para dissipar disputas e conflitos, e sonhos maus. Tara Branca, para liberação de prisões e para superar discussões e brigas.

20. A que Remove a Peste: Laranja, pacifica, para guardar contra as epidemias e dissipá-las. Tara Laranja, para eliminação de doenças contagiosas

21. A Completamente Perfeita de Todas as Atividades Iluminadas:Branca, pacífica, charmosa para completar e aperfeiçoar todas as atividades. Tara Branca, cujas ações veneráveis tornam todas as atividades bem-sucedidas.


Muito se fala e se imagina sobre a história do budismo, esse é um assunto rico e sem fim porque existem muitas linhas desta filosofia ou religião, depende de como ele é encarado, muitas são as mulheres que se tornaram monjas, mas se formos falar sobre elas corremos o risco de escrever um livro sobre o assunto, mas o mais importante é lembrar que o budismo prega a iluminação dos homens através da paz, da não-violencia não só a física mas como a violência das palavras e intenções; e principalmente o budismo nos ensina que é a nossa forma de agir que movimenta a roda da vida, aonde são as nossas ações que determinam o nosso destino e o nosso ciclo de reencarnações.

Espero que tenham gostado do artigo, que ao meu ver foi muito claro e didático.

Se desejarem ver mais temas abordado na coluna sobre o Sagrado Feminino, deixe nos comentários o que desejam ler aqui que terei o maior prazer em fazer o artigo.

Namaste!


P.S= as imagens usadas nesse artigo foram tiradas da internet. Se quem ler for o detentor ds direitos autorais, só entrarem em contato comigo que darei os devidos créditos.




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7 comentários:

  1. Que texto maravilhoso e Malu você tem toda razão eles está claro, didático e bastante simples apesar de abordar uma temática tão complexa e que demanda anos de dedicação e estudo. Eu como pessoa leiga que sou adorei saber todos estes aspectos envolvendo o feminino no budismo, a parte explicativa dos mitos, deusas... tudo muito lindo, parabéns ..<3

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  2. Adoro esses assuntos sobre religiões asiáticas, politeistas, acho muito legal .. quase virei uma Hare Krishna!

    Mas hoje estou passanod aqui pra falar de outra coisa.
    Sempre no fim do mês lá no meu blog o Efeito Agridoce, eu listo blog que eu gosto, que eu acho que foram destaque pra mim no mês (mas tem aqueles que são destaque todos os meses, né!).
    Então no TOP BLOG de Março eu indiquei o seu blog! PARABÉNS!
    Se você quiser ir lá ver o post, só acessar (www.efeitoagridoce.com) e conferir!
    Obrigada pelo trabalho e pelo ótimo conteúdo que vem fazendo!
    beeijomeeu

    Lica do Efeito Agridoce - http://www.efeitoagridoce.com

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  3. Ontem via um vídeo da Monja Coen... sempre adorável e de uma força fabulosa!
    Tenho inciado estudos mais intensos sobre o Budismo e seu texto foi inspirador. espero encontrar mais por aqui, indicação de leituras, locais etc.
    http://www.poesianaalma.com.br/

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  4. Eu não conheço muito sobre o budismo por isso esse é o tipo de postagem que eu acho muito interessante.
    Acho a doutrina muito iluminada e apesar de não ser a que eu sigo, é sempre um imenso prazer conhecer um pouco dela.
    Beijos e Namastê /\
    http://www.conversasdealcova.com/

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  5. Oiii
    Não conheço muito sobre o budismo, muito menos o papel da mulher dentro dessa religião, mas com o texto pude compreender um pouco sobre esse mundo.
    Parabéns pelo post, adorei!

    Beijos
    http://www.sacudindoaspalavras.com.br

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  6. Olá!
    Eu sempre quis saber mais sobre o Budismo. Acho a doutrina deles muito interessante. Adoraria conhecer mais sobre essa religião. Muito interessante o seu post.
    Beijos


    Academia Literária DF

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  7. Oiee amora eu adorei este post pois deu para nos uma ideia do que vem a ser o budismo e deixa transparecer bem a necessidade de estudos mais aprofundados e quem sabe até mesmo orientados...muito instrutivo gostei muito..bjs

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