Encontrando o Sagrado Feminino Particular de Cada Uma

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Nos últimos anos tenho notado que está acontecendo um turbilhão energético que brota do seio da terra e clama pelo resgate de cada mulher que vagueia por caminhos longínquos. E com isso muitas de nós temos sentido este chamado de forma forte e latente; um chamado que não nos deixa dúvidas que existe algo importante a ser feito, algo importante que mudará definitivamente nosso modo de ver o mundo, nossa existência nele e nossa interação com todo ser vivente; especialmente outras mulheres, que como nós se encontram na mesma busca e isso tem nos aproximado.


Até ai tudo bem, sabemos que temos algo a ser feito e que é importante, mas saber exatamente o que fazer e como fazer é que tem sido muitas vezes motivos de angustia para muitas nós.

Quando senti meu próprio chamado comecei tentando escutar mais a mim mesma e com isso iniciei uma busca de resgate das historias familiares que eu já conhecia, mas não tinha dado a importância devida. Esta constatação me levou a crer que nossa religação dificilmente estará longe de nós visto que como dizia minha avó “A fruta nunca cai longe da arvore” isso não quer dizer que seja regra, mas um caminho a se tentar.
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Há poucos dias li na internet um texto que falava sobre um costume entre e avós e netas, costume que viram tradição e que diz o seguinte:

 "A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.


Quando te sintas triste menina- dizia a minha avó- entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole.
Que não te apanhe desprevenida a melancolia minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza.
E na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…"
Registo da antropóloga Paola Klug, Fotografia tirada na Nicarágua por Candelaria Rivera, do ensaio fotográfico: "Amor de Campo"

Existe uma gama imensa de caminhos que podemos seguir e que nos levam ao encontro com o Sagrado Feminino basta abrirmos uma pagina de pesquisa na internet e lá estará cursos e tutorias de como fazer todo tipo de elemento magico, rituais, tradições, desde Mapas Zodiacais, Tarots, Runas, Leitura de Borra de Café, Dança do Ventre, Rituais Ciganos enfim o leque é bem amplo.

Então olhamos para tudo que nos encanta e move com a nossa Deusa interior e pensamos: “E agora?”

Vivemos em uma época em que em que todos sabem fazer tudo e nada ao mesmo tempo a palavra de ordem é resolver qualquer problema com mais eficiência possível, este é o perfil da pessoa bem sucedida.
E quando sentimos nosso chamado a primeira coisa que nos vem a mente é:“Preciso aprender de um tudo e recuperar o tempo perdido”
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Uma corrida se inicia atrás de encontrar qual será a sua arte, qual sua Deusa regente, o que fazer para tal mazela, como resolver tal assunto... Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas.

Tudo isso acontece porque ainda estamos encharcadas com os costumes e sentimentos que carregamos conosco.

E a resposta, amadas, que eu tenho recebido as minhas inúmeras duvidas é sempre a mesma: A importância de escutar a minha voz interior e nunca me afastar disso. Porque quanto mais escutamos a voz deste lindo chamado, mas ela direciona nossos passos para o caminho por onde temos que seguir voltar ao micro para depois expandir ao macro.
E uma pergunta importante que podemos nos fazer é:

“O quão importante seria eu aprender tantas coisas distintas, tradições milenares, rituais poderosos, magicas infalíveis que toda bruxinha precisa ter?”

Para responder a esta pergunta primeiro devemos entender a natureza do nosso chamado e se esta ou aquela prática esta em consonância com ele. Eu não intenciono dizer de forma alguma que não devemos aprender coisas novas, longe disso, aprender faz parte do processo evolutivo, o que digo é sobre o que aprender e como aprender.

Existe dentro toda mulher uma energia poderosa que nós chamamos de amor, criatividade, intuição e fé e nestas forças podemos depositar as nossas fichas. É infalível!

O que falo a vocês neste texto é exatamente obedecendo a minha intuição que me diz que aprender rituais na internet não nos fará ter a fé necessária para que a magia aconteça. Lembrando que conhecimento não é sabedoria, mas o primeiro é necessário para que o segundo aconteça.

É preciso buscar experiência e vivencia própria, testar sua capacidade de sentir o sagrado, colocar o pé sobre a terra, se prostrar perante a lua, por exemplo, e a contemplar, a admirar, falar com ela, e mais importante ainda escutar a sua resposta ao seu coração. Aprender os costumes e tradições familiares que temos e a eles somar nossas próprias praticas.

Então você deve estar pensando; 'poxa, mas eu não tenho nenhum histórico na minha família e recebi o chamado'. O conceito de família pode ser bem amplo e nem sempre a nossa mora sobre o mesmo teto que nós, neste interim que entra importância da ligação entre as mulheres, se tivermos oportunidade de procurar um coven, um grupo de estudos é bom que façamos. Outra dica importante é se aprofundar em leituras dentro da sua área de maior interesse, e tentar fazer parte também de um círculo de mulheres pode nos guiar em nossas trajetórias rumo ao sagrado feminino.
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É preciso saber calar para que o sagrado se manifeste. Este processo deve ser repetido também com todos os outros elementos até que saibamos onde está a nossa ligação mais forte.

“Nada do que for feito sem a fé necessária terá o almejado efeito”

Siga sempre seus instintos e intuição, neles está sua maior magia e para concluir eu deveria falar de fé, mas todas sabem que a fé é algo intrínseco a cada uma e que ela é avivada conforme a prática ßà amor ßà obra = fé. 

Agora vou me despedindo por aqui amadas, esperando que cada mulher possa ter um encontro maravilhoso com seu Sagrado Feminino e que suas trajetórias sejam de muita felicidade no onde quer que ela esteja tendo a Deusa por companhia, muita Luz e até a próxima.

Autora: Ruth Feitosa

A GIRA       
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Rodei minha saia ao vento
E minhas mãos sovaram o trigo
Dancei a gira do tempo
E a terra dançou comigo

Soltei meus cabelos ao vento
Minhas mãos espalharam as dores
Dancei a gira do tempo
E da terra senti mil amores.

Ergui as palmas ao vento
A cabeça erguida ao céu
Dancei a gira do tempo
Em minha boca um favo de mel

Autora: Ruth Feitosa



















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4 comentários:

  1. bem, eu não tenho fé em deusas e coisas do tipo... mal tive contato com minhas avós, fui criada perto de minhas madrinhas... e sobre esse 'chamado' acho que nunca tive isso xD
    vi essa história da trança e achei legal...

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  2. Amada muito sensível da sua parte a organização desta postagem.. sim também acho que uma boa reflexão sobre os caminhos por onde temos andado sempre é super válida... bjs

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  3. Nossa, texto lindo! Concordo que as mulheres vem sendo chamadas ao resgate interior do seu arquétipo selvagem, ao contato mais intimo com a mãe terra e a poesia da Ruth ficou maravilhosa no final.
    http://poesianaalmaliteraria.blogspot.com.br/

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  4. Quem tem o chamado da deusa, anda passeia, foge, corre, mas acaba sempre voltando! Digo por experiência própria, o coração não sossega enquanto não voltamos para as nossas Raízes. Adorei seu Texto Eikler, quer criar conteúdo no Vale de Morrigan?

    ♫ Conversas de Alcova ♫

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