Cabelos e histórias para contar - Escrito por Gisele Monteiro

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Olá amoras! Como vocês estão? Eu estou, de novo, entrando no meu ritmo.

É ‘engraçado’ como a nossa vida passa por reviravoltas, mesmo que internas de tempos em tempos, né? Acabei de passar por uma metamorfose, não sei expressar o que mudou, mas sinto que algo em mim mudou.

Eu sinto muito as estações do ano, e parece que minhas energias as acompanham, e nessa entrada de primavera é como se eu também estivesse renascendo.

O que eu acho mais legal é a sintonia que sinto com pessoas a minha volta.

O texto da Gisele de hoje, expressa exatamente essa minha mudança. Ao contrário dela, não cortarei minhas madeixas, mas já mudei a cor. Rsrsrsrsrsrs Apesar de que até um tempo atrás todas minhas mudanças eram acompanhadas de um corte radical nas madeixas.

Não vou me alongar muito falando, porque o texto da Gisele expressa exatamente tudo que eu desejaria lhes falar.

Cabelos e histórias para contar




Anos e anos de cultivo de uma longa cabeleira. Fim de uma era. Início de outra. Durante esse tempo, observei que toda mulher que passa por mudanças em sua vida, acaba mudando o cabelo também. Quando internamente nos percebemos diferentes, olhamos no espelho e sentimos uma necessidade de adequar aquele rosto ao novo ser que ali habita. Pode ser um corte radical ou moderado, uma nova coloração ou assumir a cor real. Não importa o que fazemos para mudar, apenas parece coerente ter um novo visual para essa nova mulher que surge depois de ser submetida ao caos que as mudanças provocam.

Sim, eu cortei muito. Passei do longo ao curto de uma só vez, sem estágios intermediários. Era uma vontade que me acompanhava fazia tempo, mas eu sabia que tinha que esperar a hora certa, estar segura do que ia fazer. Quando você passa por vários momentos de abalos profundos na sua estrutura, é preciso deixar a poeira assentar para poder ver com clareza. Quando tive certeza que queria um visual diferente, ainda alguma coisa me segurava. Muitas vezes na vida, existem motivos ocultos que aguardam para serem revelados. Hora de mergulhar fundo em nós mesmos. Vasculhar tudo em busca de uma revelação. Aquilo que te prende te bloqueia, te impede de fazer o que se quer, guarda em si um potencial de felicidade e alegria. Elas são a recompensas que surgem quando se vence o medo.

Para que minha investigação fosse bem sucedida, era só ser honesta comigo mesma. Isso não é tão simples quanto parece, por isso mesmo que o autoconhecimento é um processo longo e árduo para a maioria de nós. Depois de muitas perguntas, percebi que estava presa na armadilha do ego. Meu cabelo sempre chamou muita atenção. As pessoas sempre elogiavam muito, todo mundo falava nele com frequência. Se eu falava em cortar, vinham interjeições negativas e olhares de espanto e reprovação. Pensava então que em time que está ganhando não se mexe. Tá bom, nenhum problema com isso se eu não tivesse virado prisioneira desse status. Se continuasse a pensar daquele modo, manteria aquela mesma aparência para o resto da vida.

Foi então que percebi que minha necessidade de liberdade era maior do que a necessidade de agradar aos outros e consequentemente receber elogios. Senti que era uma vontade genuína, vinda lá do fundo da alma que se diferencia completamente da superficialidade do ego. Quando a tesoura começou a cortar meu rabo de cavalo, lágrimas vieram aos olhos, mas não rolaram. Logo em seguida, fui tomada por uma sensação de alívio enorme. Senti uma leveza imensa, não só porque tenho muito cabelo e ele pesa de verdade, mas porque eu estava ali afirmando para mim mesma que não me importava se ninguém gostasse, eu estava vivendo e amando aquele momento e isso era muito mais pleno e satisfatório do que opiniões alheias.

Para minha surpresa, recebi muitos elogios, todo mundo adorou e eu realmente não esperava por isso. Não é porque estou de olho no meu ego, tentando manter ele quietinho para eu ouvir mais minha alma que não aceitei os elogios. Fiquei muito grata, mas sabendo que a minha opinião é que vem em primeiro lugar. Terminei um capítulo longo (duplamente!) da minha história com final feliz, para mim que aprendi mais sobre mim mesma, e para as portadoras de câncer que vão receber a minha doação feita com o coração cheio de alegria. Quando a gente faz aquele que a nossa alma pede, recebemos muito e transbordamos para os outros inevitavelmente. Que todos possam transbordar. Sempre.
Gisele Monteiro




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3 comentários:

  1. Agora que consegui comentar no seu blog!Eu passei por um processo extremamente doloroso com meu cabelo a um ano e meio atrás e por isso me identifiquei muito com seu texto ( em alguns pontos ) Percebi que, durante meu processo de recuperação capilar ( eu sofri um corte quimico extremamente agressivo ) eu precisava confrontar meu ego e aceitar que eu nao tinha mais essa longa e luxuosa cabeleleira vermelha. Que assim como eu tinha perdido o grande amor da minha vida eu tinha que me abrir pro novo e abandonar uma imagem que já nao era eu, um relacionamento que ja nao tinha mais futuro.. Eu perdi meus cabelos, perdi meu referencial e agora, 18 meses depois me encontro no mesmo processo de reconstrução.O de mim mesma, uma nova pessoa e realidade. Nao me cabem mais os fios vermelhos e ondulados na nova Katharina que habita este corpo
    Obrigada demais por compartilhar tua experiencia conosco.

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    1. Gratidão por compartilhar sua história também, Katharina. Incrível como o cabelo pode ter tanta influência em na percepção de quem somos. Paz e luz.

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  2. Oi... Que texto lindo!
    Também cultivei por muito tempo uma longa cabeleira cacheada, todos elogiavam e sempre foi o orgulho da minha mãe e por este motivo não corta, e também o problema de achar que cachos com corte curto virava uma juba mas nada como conhecer a gente mesmo. E nessa fase de autoconhecimento meti a tesouro e deixei acima dos ombros, mamãe odiou o povo me chamou de doida pq meu cabelo era lindo, como? Era não continua, eu acho rs. Agora só mantenho curto, as vezes deixou crescer um pouquinho mais e vivo super bem com meus cachos pretos olho no espelho e me vejo de verdade.

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